Depende do motivo — há quatro situações distintas

Quando alguém diz que tem um "extintor vencido", pode estar a falar de coisas muito diferentes. Um extintor com a manutenção anual em atraso não é a mesma situação que um extintor com 25 anos de utilização — e a solução legal para cada caso é diferente. Antes de agir, é preciso perceber em qual das quatro situações se encontra.

As quatro situações possíveis

1. Manutenção anual em atraso

A data da última manutenção certificada passou há mais de 12 meses. O extintor pode estar fisicamente em bom estado, mas não tem validade legal.

→ Chamar empresa registada na ANEPC

2. Recarga em atraso

O agente extintor (pó, água ou espuma) não foi substituído nos prazos obrigatórios — de 5 em 5 anos para pó ABC, de 10 em 10 anos para CO₂.

→ Recarga por empresa certificada

3. Prova hidrostática em atraso

O teste de integridade do cilindro sob pressão não foi feito aos 10 anos. Obrigatório por lei — sem este teste, o extintor não pode ser recolocado em serviço.

→ Prova hidrostática ou substituição

4. Fim de vida útil (+ 20 anos)

O extintor de pó, água ou espuma atingiu ou ultrapassou os 20 anos de fabrico. Neste caso, independentemente do estado aparente, tem de ser retirado de serviço; nos de CO₂ e nos móveis, a vida útil depende da prova hidrostática decenal ao recipiente.

→ Substituição obrigatória

Como saber em que situação está

A informação necessária está na etiqueta de manutenção colada ao extintor e no corpo do cilindro. Veja o que procurar:

O que ler no extintor

Data de fabrico Gravada ou estampada no cilindro. Conta para a vida útil máxima (20 anos nos de pó, água e espuma).
Data da última manutenção Na etiqueta de manutenção. Se passaram mais de 12 meses, a manutenção anual está em atraso.
Data da última recarga Também na etiqueta. Se passaram mais de 5 anos (pó ABC) ou 10 anos (CO₂), a recarga está em atraso.
Data da prova hidrostática Registada na etiqueta ou no relatório de manutenção. Obrigatória de 10 em 10 anos.

Não tem etiqueta ou a etiqueta está ilegível? O extintor não tem manutenção certificada comprovável — é equivalente a não ter manutenção. Contacte uma empresa registada na ANEPC para avaliação e regularização.

O calendário completo de manutenção

Para perceber se o seu extintor está em dia, este é o programa obrigatório definido pela norma NP 4413:

Trimestralmente
Inspecção visual — pelo próprio
Verificação do manómetro (ponteiro na zona verde), selo intacto, posição correcta, mangueira sem danos visíveis. Realizada pelo responsável do espaço, sem necessidade de empresa externa.
Anualmente
Manutenção certificada — empresa registada ANEPC
Verificação completa conforme NP 4413, com emissão de certificado de conformidade. É o único documento com validade legal perante câmaras, seguros e fiscalização. Obrigatório sem excepção.
De 5 em 5 anos
Recarga do agente extintor (pó, água, espuma)
Substituição do agente extintor e do gás propulsor. Para extintores de CO₂, o prazo é de 10 em 10 anos, por terem uma formulação diferente.
De 10 em 10 anos
Prova hidrostática
Teste de resistência do cilindro à pressão interna. Se o cilindro apresentar corrosão, deformações ou danos, a empresa de manutenção rejeita-o e o extintor tem de ser substituído.
Aos 20 anos
Fim de vida útil — substituição obrigatória
A NP 4413 fixa os 20 anos como vida útil máxima para extintores de pó, água e espuma. Após este prazo, o extintor é abatido e substituído — independentemente do estado aparente.

O que acontece se não regularizar

Manter um extintor fora de validade em instalações obrigadas a tê-los em conformidade constitui contraordenação ao RJSCIE (DL 220/2008). As consequências podem ser:

⚠️ O risco do seguro é frequentemente subestimado. A maioria das apólices de seguro multirriscos para empresas e condomínios prevê a exclusão de cobertura quando as obrigações de segurança contra incêndio não estão cumpridas. Em caso de incêndio, a ausência de manutenção certificada pode anular a cobertura do seguro na totalidade.

Devo substituir ou recarregar?

A decisão é simples: se o extintor tem menos de 20 anos e passou a prova hidrostática, a recarga e manutenção são suficientes. Se atingiu ou ultrapassou os 20 anos — ou se o cilindro foi rejeitado na prova hidrostática —, é obrigatório substituir.

Em termos de custo, a manutenção e recarga de um extintor existente é tipicamente mais económica do que a compra de um novo. A decisão de substituir antes dos 20 anos só faz sentido se houver danos físicos no cilindro ou se o modelo for antigo a ponto de já não ter peças de substituição disponíveis.

Extintor fora de validade? Regularize hoje.

A Extincare liga-o ao técnico de empresa registada na ANEPC mais próximo. Avalia o estado dos seus extintores, trata da manutenção e emite o certificado de conformidade NP4413.

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